segunda-feira, 13 de junho de 2011

Fonte de novos medicamentos

Fonte de novos medicamentos

13/06/2011

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – Em 1928, o inglês Alexander Fleming (1881-1955) descobriu acidentalmente em uma placa de cultura esquecida em seu laboratório um fungo, o Penicillium notatum, que exterminava bactérias patogênicas como o Staphylococcus aureus.

Passados exatos 83 anos da descoberta do composto, considerado um dos mais importantes utilizados até hoje no tratamento de doenças e que iniciou a chamada “era dos antibióticos”, as indústrias farmacêuticas atravessam uma crise de criatividade no desenvolvimento de moléculas bioativas inovadoras, que possam ser utilizadas como fármacos eficazes para o tratamento de novas e antigas doenças.

A análise foi feita por Eliezer Jesus de Lacerda Barreiro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na palestra que proferiu no encontro do Ciclo de Conferências do Ano Internacional da Química 2011 sobre “Química medicinal: desafios e perspectivas”, realizado em 8 de junho, no auditório da FAPESP.

Segundo ele, em 2010 as indústrias farmacêuticas lançaram 15 moléculas bioativas contra 39 introduzidas no mercado em 1997. “Em função dessa crise de criatividade, as empresas farmacêuticas, que faturaram US$ 850 bilhões em 2010 em todo o mundo e investiram 10% desse valor em pesquisa, desenvolvimento e inovação, voltam seus olhares para as moléculas desenvolvidas nas universidades, que podem ser mais capazes de inovar em química medicinal do que os bem equipados laboratórios industriais”, disse.

Para Barreiro, as moléculas bioativas mais inovadoras surgidas nas últimas décadas foram desenvolvidas nos laboratórios das indústrias farmacêuticas mas com base no conhecimento produzido em universidades e centros de pesquisa.

O exemplo mais emblemático, de acordo com o cientista, é do cloridato de propanolol. O primeiro betabloqueador seguro para uso humano, que revolucionou o tratamento da hipertensão, foi desenvolvido pelo escocês James Black no fim nos anos 1950 com base na aplicação de conhecimentos formulados pelos alemães Hermann Emil Fischer e Paul Ehrlich.

Fischer e Ehrlich foram pioneiros na formulação da ideia de que cada molécula tinha um biorreceptor – um alvo específico para uma doença. Com base nisso, Black desenvolveu um molécula quimicamente simples, mas eficiente no tratamento de doenças coronárias e seus sintomas

“A descoberta dessa molécula por Black estimulou outros cientistas a ampliar a família de betabloqueadores. E, hoje, praticamente todas as empresas farmacêuticas presentes no mercado mundial têm um betabloqueador em seu portfólio de medicamentos”, disse Barreiro.

Além do propanolol, o professor da UFRJ citou como exemplos de inovação terapêuticas a cimetidina, também descoberta por Black em 1960 e que permitiu o controle da úlcera péptica; a sinvastatina, lançada em 1979 e voltada para redução dos níveis de colesterol; e o captropil, utilizado para o tratamento de hipertensão arterial, que foi desenvolvido com base em pesquisas brasileiras sobre peptídeos presentes no veneno da jararaca.

Compostos sintéticos

Coordenada por Heloisa Beraldo, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o ciclo de conferências sobre química medicinal contou também com a participação de Silvia Regina Roggato, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu, e Luiz Carlos Dias, professor do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

“Dos 1.184 novas compostos químicos que entraram em fase de testes clínicos e se tornaram medicamentos nos últimos anos, 52% foram provenientes de produtos naturais”, destacou Dias. “Um deles é a atorvastatina, princípio ativo do medicamento mais vendido no mundo e o mais potente para a redução dos níveis de colesterol plasmático: o Lipitor.”

Lançado em 1985, o composto foi desenvolvido a partir de um produto natural, o fungo compactina. Por meio de modificações estruturais na molécula do produto natural utilizando ferramentas e subsídios da química medicinal, o pesquisador Bruce Roth, da indústria farmacêutica Pfizer, conseguiu criar uma estrutura da molécula com efeito terapêutico bem mais eficiente.

A patente da molécula, que é considerada o ácido carboxílico mais valioso do planeta, faturando US$ 13 bilhões em vendas, expira este ano no mercado norte-americano.

De olho nessa oportunidade, Dias e outros pesquisadores de seu grupo de pesquisa em síntese de produtos naturais bioativos no IQ, da Unicamp, conseguiram sintetizar no ano passado a molécula, por uma rota inédita, em uma escala de cerca de 1 grama.

“Conseguimos sintetizar essa molécula, que tem uma estrutura relativamente complexa, por uma nova rota que envolveu inovações incrementais e é diferente das que até então vinham sendo empregadas e descritas na literatura”, afirmou.

O desenvolvimento foi realizado no âmbito do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Fármacos e Medicamentos (INCT-Inofar), sediado no Rio de Janeiro e coordenado por Barreiro, e do qual Dias e Beraldo são membros do comitê gestor.

De acordo com estimativas do setor farmacêutico, mais de 90% dos princípios ativos utilizados hoje no Brasil para a produção de medicamentos genéricos são provenientes de países como a Índia e China.

“A indústria farmoquímica brasileira usa esses insumos, muitas vezes impuros, fazem purificações, pequenas modificações estruturais, encapsulam e colocam no mercado. É assim que são produzidos os medicamentos genéricos no país hoje. E nós temos competência para sintetizar o princípio ativo não só de uma molécula como a atorvastatina, mas de outras moléculas mais simples e com impactos no Sistema Único de Saúde e no programa Farmácia Popular. E isso precisa ser incentivado”, destacou Dias.

O ciclo, promovido pela Sociedade Brasileira de Química (SBQ) em parceria com a revista Pesquisa FAPESP, integra as comemorações oficiais do Ano Internacional da Química, instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a União Internacional de Química Pura e Aplicada (Iupac, na sigla em inglês).

O ciclo é coordenado por Vanderlan da Silva Bolzani, professora do Instituto de Química de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e membro do comitê nacional de atividades do AIQ-2011 da SBQ, e por Mariluce Moura, diretora de redação de Pesquisa FAPESP.

O próximo evento, com o tema “Biodiversidade & Química”, será realizado no dia 19 de julho, a partir das 13h30, no auditório da FAPESP. Mais informações: www.fapesp.br/eventos/aiq

quinta-feira, 12 de maio de 2011

O escorpião “amarelou”

Picada de escorpião amarelo, conhecido por ter o veneno mais perigoso da América do Sul, praticamente não causa sintomas em vítimas do Distrito Federal

Picada de escorpião amarelo, conhecido por ter o veneno mais perigoso da América do Sul, praticamente não causa sintomas em vítimas do Distrito Federal
Considerado o mais perigoso da América do Sul, o escorpião amarelo – Tityus serrulatus – é personagem de um intrigante fenômeno. Comum nos estados do Sudeste do país, ele tem uma picada que causa muita dor e um veneno altamente tóxico que provoca dormência, vômito e náuseas, podendo até matar. Mas não no Distrito Federal.

veja mais em:
http://www.unbciencia.unb.br/index.php?option=com_content&view=article&id=219:o-escorpiao-qamarelouq&catid=34:ciencias-da-saude

Livros didáticos trazem informações imprecisas sobre animais peçonhentos

Estudo com 23 livros didáticos de Ciências Biológicas recomendados pelo Ministério da Educação (MEC) e utilizados por escolas públicas e particulares mostra que o material traz informações incompletas sobre serpentes, aranhas e escorpiões. Publicações são utilizadas por estudantes da 7ª série do ensino fundamental e 2º ano do ensino médio.
Veja mais em http://www.unbciencia.unb.br/index.php?option=com_content&view=article&id=214:livros-didaticos-trazem-informacoes-imprecisas-sobre-animais-peconhentos&catid=55:biologia-animal

quarta-feira, 20 de abril de 2011

European Section of the International Society on Toxinology

The 17th Meeting of the European Section of the International Society on Toxinology (IST) will take place in Valencia September 11-15, 2011. The venue will be the Auditorium Santiago Grisolía at the Science Museum Príncipe Felipe, one of the buildings of the City of Arts and Sciences of Valencia (Spain).
http://istmeetingvlc2011.ibv.csic.es/

Processo seletivo - pós-graduação

O Programa de Pós-graduação em Biologia Animal abriu processo seletivo para novos alunos (mestrado e doutorado). Estão abertas vagas para a linha de pesquisa em toxinologia. O prazo de inscrição é de 23/05/2011 a 15/06/2011. Maiores informações em www.unb.br/ib/bioani

terça-feira, 5 de abril de 2011

Odontobuthus doriae venom as cancer medicine

Scorpions have been used in traditional medicine since ancient times, and in the last decade there have been a lot of research into scorpion venom to find potential agents to be used in medicine and treatment of serious diseases like cancer. Chlorotoxin from the venom of Leiurus quinquestriatus is one example of a very promising agent in the fight against serious brain cancer.


Jamil Zargan and co-workers have now showed that the venom of Odontobuthus doriae (Thorell, 1876) (Buthidae) induced apoptosis (programmed cell death) and inhibits DNA synthesis (inhibit cell growth and cell proliferation) in human neuroblastoma cells (Wikipedia on neuroblastoma). More investigations of the venom of this species are of course necessary, but the properties shown by the venom in this study will make it a valuable therapeutic agent in cancer research.

Abstract:
Scorpion and its organs have been used to cure epilepsy, rheumatism, and male impotency since medieval times. Scorpion venom which contains different compounds like enzyme and non-enzyme proteins, ions, free amino acids, and other organic inorganic substances have been reported to posses antiproliferative, cytotoxic, apoptogenic, and immunosuppressive properties. We for the first time report the apoptotic and antiproliferative effects of scorpion venom (Odontobuthus doriae) in human neuroblastoma cells. After exposure of cells to medium containing varying concentrations of venom (10, 25, 50, 100, and 200 lg/ml), cell viability decreased to 90.75, 75.53, 55.52, 37.85, and 14.30%, respectively, after 24 h. Cells expressed morphological changes like swelling, inhibition of neurite outgrowth, irregular shape, aggregation, rupture of membrane, and release of cytosolic contents after treatment with venom. Lactate dehydrogenase (LDH) level increased in 50 and 100 lg/ml as compared to control, but there was no significant increase in LDH level at a dose of 10 and 20 lg/ml. Two concentrations viz. 50 and 100 lg/ml were selected because of the profound effect of these concentrations on the cellular health and population. Treatment with these two concentrations induced reactive nitrogen intermediates and depolarization in mitochondria. While caspase-3 activity increased in a concentrationdependent manner, only 50 lg/ml was able to fragment DNA. It was interesting to note that at higher dose, i.e., 100 lg/ml, the cells were killed, supposedly by acute necrosis. DNA synthesis evidenced by bromodeoxyuridine (BrdU) incorporation was inhibited in a concentrationdependent manner. The cells without treatment incorporated BrdU with high affinity confirming their cancerous nature whereas very less incorporation was noticed in treated cells. Our results show apoptotic and antiproliferative potential of scorpion venom (O. doriae) in human neuroblastoma cells. These properties make scorpion venom a valuable therapeutic agent in cancer research.

Reference:
Zargan J, Sajad M, Umar S, Naime M, Ali S, Khan HA. Scorpion (Odontobuthus doriae) venom induces apoptosis and inhibits DNA synthesis in human neuroblastoma cells. Mol Cell Biochem. 2011 Feb;348(1-2):173-81. [Subscription required for fulltext]

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Acidentes com animais peçonhentos dobram em 10 anos!

Ataques com animais peçonhentos dobram em dez anos

4/4/2011

Agência FAPESP – Levantamento da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo aponta que o número de acidentes com animais peçonhentos dobrou na última década no Estado. Os escorpiões são os principais causadores desses ataques.

Em 2010, foram registrados 14.601 acidentes envolvendo cobras, aranhas, escorpiões e taturanas, número 112,4% superior ao de 2000 (6.873).

De acordo com a Secretaria, dos acidentes 46,5%, ou 6.783 notificações, foram causados por escorpiões. Outros 3.007 casos foram referentes a ocorrências com aranhas, além de 1.752 registros com serpentes e 1.644 com abelhas.

O hospital estadual Vital Brazil, ligado ao Instituto Butantan, e que realiza atendimentos exclusivamente para acidentes envolvendo animais peçonhentos, foi responsável por 2.319 ocorrências em 2010. A unidade é a única no mundo que atende exclusivamente acidentados de animais peçonhentos.

Para quem viaja a lazer para áreas de mata, os cuidados com animais peçonhentos devem ser redobrados. “Ao caminhar, é importante estar com calçado adequado, como botas, e evitar os períodos de amanhecer e entardecer, quando as cobras procuram alimentos. Normalmente, esses animais procuram lugares secos para se protegerem”, disse Carlos Medeiros, diretor médico do hospital.

Diferentemente do que se costuma ouvir, em caso de ferimento, de forma alguma se deve amarrar o local atingido, já que essa ação pode produzir necrose e não evita absorção do veneno.

Em caso de acidentes com cobras, a primeira medida é lavar o local afetado com bastante água e sabão e procurar imediatamente o serviço de saúde mais próximo. As ações que costumam ser mostradas em filmes, como amarrar, cortar ou mesmo chupar a ferida com a intenção de sugar o veneno devem ser evitadas, uma vez que podem piorar a situação da vítima.

Para ferroada de escorpião, a primeira medida a ser adotada é colocar compressas de água morna sobre a ferida para aliviar a dor. Em seguida, recomenda-se procurar a assistência médica mais próxima. Já em caso de picadas de aranhas e queimaduras de taturanas é importante não mexer no ferimento.

A lista de locais para diagnóstico e tratamento pode ser encontrada no site do Centro de Vigilância Epidemiológica (www.cve.saude.sp.gov.br) no link “Acidentes por animais peçonhentos”.

Além disso, o Instituto Butantan, órgão da Secretaria de Estado da Saúde, disponibiliza para a população um telefone de orientação sobre como proceder em casos de emergência e acidentes com esses animais e indica o local mais próximo para atendimento.

O serviço funciona 24 horas por dia pelo telefone: (11) 3726-7962. Dicas de prevenção também podem ser encontradas no site www.butantan.gov.br.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Reportagem do Correio Braziliense

O Correio Braziliense está com uma série especial de reportagens sobre Ciências e, como não podia faltar, a Toxinologia ganhou destaque no mês de março. Clique nos links com as datas para visualizar as imagens em tamanho real e ler as reportagens. Parabéns mais uma vez ao pessoal do laboratório de Toxinologia da UnB! 





quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Vejam que legal!!
Nossos dois artigos com Opisthacanthus estão na lista dos "Top 10"!

Top 10 Articles Published in the Same Domain Since Your Publication

Schwartz EF, Camargos TS, Zamudio FZ, Silva LP, Bloch C Jr, Caixeta F, Schwartz CA, Possani LD: Mass spectrometry analysis, amino acid sequence and biological activity of venom components from the Brazilian scorpion Opisthacanthus cayaporum. Toxicon; 2008 Jun 15;51(8):1499-508
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Silva EC, Camargos TS, Maranhão AQ, Silva-Pereira I, Silva LP, Possani LD, Schwartz EF: Cloning and characterization of cDNA sequences encoding for new venom peptides of the Brazilian scorpion Opisthacanthus cayaporum. Toxicon; 2009 Sep 1;54(3):252-61
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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Seleção Bolsista de Apoio Técnico


Está aberta a seleção de bolsista de Apoio Técnico, de nível superior nas áreas de Biologia, Farmácia, Química e áreas afins, vinculado ao projeto INOVATOXIN. O trabalho envolve conhecimentos em HPLC e Espectrometria de Massa. Os interessados deverão enviar o currículo Lattes para o email  efschwa@unb.br até o dia 10 de março.
Valor da Bolsa: R$ 550,00
Carga horária: 20h semanais

Seleção de estagiários

Biologia, Biomedicina, Farmácia e áreas afins.

Aberta Seleção de estagiários em pesquisa com toxinas de escorpiões, aranhas e vespas, na Universidade de Brasília. Enviar currículo, com histórico escolar e justificativa de interesse para o email thalitacamargos@unb.br até o dia 15 de março. 


Os alunos selecionados farão um estágio de treinamento em técnicas de laboratório  e após este período os aprovados serão selecionados para realização de Projeto de Iniciação Científica ProIC, que possui prazo de 12 meses.
 Os alunos interessados poderão ainda participar da seleção de Mestrado e Doutorado dos Programas de Pós-Graduação vinculados às pesquisas desenvolvidas no laboratório de Toxinologia.